Nota do AutorUma mensagem de Daniel
"Abril não foi um mês de respostas, foi um mês de interrupções silenciosas, daquelas que não fazem barulho por fora, mas mudam completamente o que acontece por dentro, porque em algum ponto eu percebi que continuar vivendo no automático já não era mais uma escolha neutra, era uma forma de ir me perdendo sem perceber, e talvez por isso esse tenha sido o mês em que eu mais precisei parar, não pra entender tudo, mas pra sentir o suficiente.
Cada dia aqui não nasceu de uma ideia bonita ou de uma reflexão distante, nasceu de incômodos reais, de momentos em que eu me peguei fugindo de mim, me distraindo, me ajustando demais, me calando quando não devia, ou me cobrando por coisas que nem faziam mais sentido carregar, e ao invés de ignorar isso como eu já fiz tantas vezes, eu decidi registrar, mesmo sem ter certeza se fazia sentido, mesmo sem saber se alguém além de mim entenderia.
Abril foi menos sobre evolução visível e mais sobre presença, sobre começar a notar o que antes passava despercebido, sobre reconhecer padrões que eu fingia não ver, sobre aceitar que nem tudo em mim precisa ser resolvido imediatamente, mas precisa, no mínimo, ser reconhecido, porque tem coisas que só começam a mudar depois que deixam de ser ignoradas.
Se em algum momento esse mês parece repetitivo, é porque o processo também é, voltar pra si não acontece em um único dia, não vem como clareza absoluta, vem como insistência, como pequenos retornos, como escolhas quase invisíveis que, somadas, começam a alterar o jeito que a gente se trata.
Esse mês não foi sobre se tornar alguém novo.
Foi sobre parar de se afastar de quem eu já sou.
E isso, por si só, já foi mais difícil e mais necessário do que qualquer mudança grande."