Nota do AutorUma mensagem de Jackson
"Escrever este capítulo foi, para mim, um gesto de justiça.
Durante muito tempo, Diana existiu apenas no reflexo da dor de outra pessoa. E ninguém permanece humano quando é visto só pela ferida que causou. Eu precisava devolvê-la à própria pele, à própria família, aos próprios silêncios, às suas contradições mais íntimas. Precisava lembrar — e fazer o leitor lembrar — que até quem erra no amor continua sendo alguém com infância, talento, medo, delicadeza e ruína por dentro.
Este capítulo me interessa porque ele toca numa verdade difícil: existem pessoas que parecem fortes demais por fora justamente porque passaram tempo demais sangrando por dentro sem fazer barulho. Diana não é uma mulher quebrada de forma óbvia. Ela é mais dolorosa do que isso. Ela é uma mulher que ainda funciona, ainda trabalha, ainda sorri, ainda afina o próprio gesto, mesmo carregando uma falta que não encontrou repouso.
O violino, os poemas, o colar, a beira do córrego — nada disso está aqui por acaso. Tudo neste capítulo fala de uma mulher que tenta não desmoronar completamente diante da própria memória. E talvez o que haja de mais trágico em certas saudades seja justamente isso: elas não matam de uma vez. Elas permanecem. Refinam-se. Aprendem a se vestir de rotina, beleza e elegância, enquanto por dentro continuam pedindo um nome que não pode mais ser chamado.
No fundo, este capítulo é sobre a solidão das pessoas que ainda amam em silêncio.
E talvez as dores mais fundas sejam mesmo assim: belas por fora, fatais por dentro."