Nota do AutorUma mensagem de Jackson
"Durante muito tempo, Breno acreditou que superar alguém seria deixar de sentir, deixar de lembrar, deixar de reagir. Mas a maturidade raramente acontece desse jeito. Às vezes, ela chega quando a memória ainda existe, quando a cena ainda machuca um pouco, quando o passado ainda cruza a rua — e, mesmo assim, já não tem poder para decidir o rumo da nossa noite.
A boate, a fumaça, a caminhada, a praça e a madrugada servem como paisagens de uma mesma travessia interior. Tudo começa no ruído, na confusão, naquilo que é excessivo e quase vulgar. Mas, aos poucos, o capítulo vai encontrando outra temperatura: silêncio, escuta, presença, desejo limpo. Como se Breno finalmente atravessasse a parte mais escura da cidade para descobrir que dentro dele já amanheceu antes.
Fernanda entra aqui não como salvação, mas como possibilidade. E isso é importante. Porque o amor mais perigoso é aquele que nasce da falta; já o amor mais bonito costuma nascer quando a falta já não governa mais ninguém.
No fim, o último olhar para a ex não é um gesto de crueldade, nem de triunfo. É só o instante em que duas sombras se reconhecem pela última vez antes de seguirem caminhos diferentes.
E talvez crescer seja exatamente isso: não apagar a noite, mas aprender a sair dela sem continuar pertencendo ao escuro."