Nota do AutorUma mensagem de Daniel
"Dezembro não foi o mês em que tudo terminou, foi o mês em que eu percebi que já tinha terminado há muito tempo, só que agora, pela primeira vez, isso não precisava mais ser confirmado, revisitado ou entendido de novo, porque simplesmente não existia mais movimento em torno disso.
Durante muito tempo eu achei que o fechamento viria como um marco, um ponto claro onde tudo faria sentido de uma vez, onde eu olharia para trás e teria uma conclusão definitiva, mas não foi assim, foi silencioso, foi aos poucos, foi na ausência de reação, na falta de vontade de voltar, na forma como aquilo deixou de aparecer nos meus pensamentos sem que eu precisasse evitar.
E talvez a maior mudança não tenha sido o que eu deixei para trás, mas o que eu parei de fazer comigo enquanto ainda carregava isso, porque hoje eu consigo ver com mais clareza as versões minhas que tentaram se adaptar, insistir, manter algo que não se sustentava, e entender isso não com julgamento, mas com consciência, como parte de um processo que precisava acontecer para eu chegar onde estou agora.
Não existe mais dúvida, não existe mais expectativa escondida, não existe mais aquele impulso de revisitar para ter certeza, porque a certeza já não depende disso, ela está na forma como eu vivo hoje, no que eu escolho, no que eu não aceito mais, no quanto eu consigo me manter próximo de quem eu sou sem negociar isso por nenhuma possibilidade.
Dezembro também trouxe algo que antes parecia distante, a sensação de estar inteiro, não no sentido de não sentir mais nada, mas no sentido de não carregar nada que não faça parte de mim agora, de não ter pendência emocional, de não existir mais aquele espaço ocupado por algo que já passou.
E, olhando para trás, não parece uma grande vitória, não parece algo que precise ser destacado ou celebrado, parece só continuidade, parece só vida seguindo de um jeito mais leve, mais consciente, mais alinhado.
Esse mês não foi sobre encerrar.
Foi sobre reconhecer que já estava encerrado.
"