Nota do AutorUma mensagem de Daniel
"Fevereiro foi o mês em que eu parei de fingir que estava tudo sob controle.
Não foi de uma vez, não foi com um momento específico que mudou tudo, foi mais lento do que isso, mais silencioso, mais difícil de perceber enquanto acontecia, mas impossível de ignorar depois que ficou claro.
Janeiro ainda tinha dúvida, ainda tinha aquela sensação de que talvez eu estivesse exagerando, talvez estivesse interpretando demais, talvez ainda desse pra ajustar as coisas sem precisar mudar tanto.
Fevereiro tirou isso.
Não completamente, mas o suficiente pra eu perceber que não era mais só sobre o que eu sentia… era sobre o que eu já não conseguia mais parar de repetir.
E admitir isso não foi fácil.
Porque enquanto parece escolha, ainda existe controle.
Mas quando começa a virar padrão… já não depende só de vontade.
Eu não escrevi esse mês como alguém que estava resolvendo alguma coisa.
Eu escrevi como alguém que já estava no meio.
No meio da repetição.
No meio da tentativa de manter.
No meio daquilo que eu ainda chamava de controle… mas já não era.
E talvez o mais difícil de tudo tenha sido perceber que eu via isso acontecendo.
Eu via… e continuava.
Esse mês não tem resposta.
Não tem saída bonita.
Não tem virada imediata.
Tem consciência… sem interrupção.
E, sendo bem honesto, teve coisa aqui que eu quase não escrevi.
Não porque não aconteceu.
Mas porque colocar em palavra deixa mais real.
E talvez seja exatamente por isso que eu deixei.
Porque, em algum ponto, parar de esconder também faz parte do processo."