Nota do AutorUma mensagem de Daniel
"Maio não foi sobre esquecer, foi sobre lembrar sem se perder no que já não existe mais, e isso, por mais simples que pareça quando escrito, foi uma das coisas mais difíceis de sustentar, porque sentir falta ainda acontece, às vezes sem aviso, às vezes sem motivo claro, e por muito tempo eu confundi isso com sinal, como se toda saudade carregasse uma direção, uma possibilidade, uma abertura que ainda existia, quando na verdade, muitas vezes, era só memória tentando permanecer.
Esse mês não nasceu de superação bonita nem de fechamento completo, nasceu de um processo mais silencioso, mais interno, onde eu precisei aprender a diferenciar o que eu sinto do que eu faço, o que marcou do que ainda faz sentido, o que foi importante do que ainda cabe na minha vida hoje, porque existe uma diferença entre reconhecer o valor de algo e continuar dando espaço para isso como se ainda estivesse acontecendo.
Em vários momentos eu voltei, mesmo que só na cabeça, revisitei cenas, reconstruí possibilidades, tentei entender o que não teve explicação clara, como se em algum ponto eu fosse encontrar uma versão da história que justificasse continuar olhando para trás, mas a verdade é que nem tudo precisa de um fechamento perfeito para ser deixado, algumas coisas só precisam ser aceitas como terminaram, mesmo que isso incomode, mesmo que isso não traga a sensação de conclusão que a gente espera.
Maio foi o mês em que a saudade deixou de ser impulso e começou a ser só sentimento, presente, às vezes incômodo, mas já sem controle sobre minhas decisões, e isso não significa que deixou de importar, significa que deixou de me conduzir, o que, de certa forma, foi a mudança mais importante que aconteceu aqui.
Se abril foi sobre voltar para mim, maio foi sobre não me abandonar de novo por algo que já acabou.
Porque sentir ainda existe.
Mas agora, eu também existo no meio disso."