Nota do AutorUma mensagem de Daniel
"Novembro não foi sobre superar, nem sobre escolher diferente, nem sobre sustentar aprendizado, foi sobre perceber que tudo isso já tinha acontecido, mesmo sem um momento exato marcando essa mudança, porque, de repente, aquilo que antes exigia atenção, cuidado, consciência constante, simplesmente deixou de pedir qualquer tipo de esforço.
Durante muito tempo eu achei que o fim viria com algum tipo de clareza emocional, uma sensação de conclusão, algo que pudesse ser reconhecido na hora em que acontecesse, mas não foi assim, não teve anúncio, não teve impacto, teve silêncio, e só depois, olhando para as pequenas situações, eu comecei a perceber que já não reagia mais, que já não interpretava, que já não voltava por dentro, e que aquilo que antes ocupava tanto espaço simplesmente não ocupava mais nenhum.
E o mais estranho não foi a ausência de sentimento, foi a ausência de importância, porque não é que eu esqueci, não é que deixou de existir, é que deixou de significar, deixou de influenciar, deixou de participar de qualquer decisão, de qualquer pensamento, de qualquer forma de me enxergar, e isso muda mais do que qualquer sensação intensa poderia mudar.
Novembro também trouxe uma percepção que antes parecia distante, a de que o problema nunca foi o que aconteceu, mas o quanto eu mantive isso ativo dentro de mim, o quanto eu revisitei, reinterpretei, prolonguei algo que já tinha acabado, e quando isso parou, não porque eu forcei, mas porque simplesmente deixou de acontecer, tudo encontrou um lugar mais simples.
Hoje, quando eu penso, não existe mais construção, não existe mais retorno, não existe mais tentativa de entender ou sentir de novo, existe só memória, neutra, sem peso, sem movimento, como qualquer outra coisa que fez parte de mim em algum momento, mas que já não me representa mais.
Esse mês não parece vitória.
Não parece conquista.
Parece normal.
E talvez esse seja o sinal mais claro de que realmente acabou, porque quando algo deixa de ser tema, deixa d"