Nota do AutorUma mensagem de Daniel
"Outubro não foi sobre o que eu deixei para trás, nem sobre o que eu evitei repetir, foi sobre como eu comecei a viver o que apareceu depois sem transformar isso em análise, em defesa ou em expectativa, e talvez essa tenha sido a primeira vez em que eu realmente experimentei algo novo sem tentar encaixar dentro do que eu já conhecia.
Durante muito tempo eu me relacionei com tudo a partir do passado, medindo, comparando, antecipando, como se cada detalhe precisasse passar por um filtro antes de ser aceito como real, e isso, mesmo quando parecia proteção, também me limitava, porque me impedia de perceber quando algo era simplesmente diferente, não melhor, não pior, só diferente do que eu estava acostumado a viver.
E foi isso que mudou aqui, eu não precisei mais entender tudo para continuar, não precisei mais controlar o ritmo para me sentir seguro, não precisei mais transformar interesse em expectativa nem conexão em projeção, eu só vivi o que estava acontecendo, com presença suficiente para perceber, mas sem exagero que distorce, sem análise que cansa, sem aquela necessidade constante de antecipar o final.
Teve momentos em que o impulso antigo apareceu, aquela vontade automática de recuar quando algo parecia bom demais ou de acelerar quando parecia certo, mas, diferente de antes, eu percebi antes de reagir, e essa pequena diferença mudou tudo, porque me deu escolha no meio do processo, não só depois que já tinha acontecido.
Outubro também trouxe uma leveza que não vem da situação, vem de dentro, da confiança de que eu não vou mais me perder como antes, de que eu posso me permitir sentir, gostar, viver algo novo, sem carregar o medo de voltar para uma versão antiga de mim, porque essa versão já não se sustenta mais.
Esse mês não foi sobre evitar dor.
Foi sobre não transformar tudo em risco.
E talvez essa seja a maior mudança de todas, porque agora eu não preciso mais me proteger da experiência.
Eu posso simplesmente viver."