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Observo por um tempo longo a palavra sinopse gritando na tela. Levo as mãos à cabeça, sentindo a enxaqueca se anunciar. Sempre fui adepta da transparência. De verdades cruas, ditas de uma vez, sem rodeios. Ainda assim, ali estou eu, irritada com a ideia de precisar resumir uma história que só faz sentido quando vivida. Abro um novo arquivo no computador e tento encarar a sinopse como uma das anotações que faço para entregar aos meus clientes. Observação inicial: escrever uma sinopse exige síntese emocional. Não é o meu forte. Contexto: mulher, adulta, analista comportamental. Histórico familiar marcado por performances públicas e ausência de autenticidade. Aversão declarada a máscaras. Conflito central: sentimentos inconsistentes direcionados à mesma figura. Oscilação entre apego e indiferença sem causa aparente. Hipóteses iniciais: percepção falha, autoengano, variáveis ocultas. Estado emocional atual: irritação crescente. Leve dor de cabeça. Baixa tolerância a tarefas redundantes. Pauso. Releio o que escrevi. Apago tudo. E escrevo: Seus preguiçosos. Abram o livro e descubram vocês mesmos do que se trata.